


… Quando se observa o fenómeno do comércio de pessoas, do tráfico ilegal de migrantes e de outras faces conhecidas e desconhecidas da escravidão, fica-se frequentemente com a impressão de que o mesmo tem lugar no meio da indiferença geral, uma indiferença globalizada. …

Há dois mil anos o acontecimento não foi notícia, mas foi um grande acontecimento. Hoje, ao contrário, tornou-se notícia e causa frenesi cansativo, mas sem causar grande alegria nem ter grande importância como acontecimento. Interessa muito, isso sim, para servir de pretexto ao consumo e à promoção do comércio. Não quero dizer que isso seja mau, apenas quero realçar que não é o acontecimento que mexe com grande parte das pessoas.

E porque só a fraternidade extingue a guerra, Francisco insiste na necessidade de “uma conversão do coração que permita a cada um reconhecer no outro um irmão que deve cuidar e com o qual deve trabalhar para, juntos, construírem uma vida em plenitude.

No estábulo de Belém, deitado na manjedoura, surgiu esta grande luz que muitos aguardavam e muitos outros ainda esperam. Naquele Menino, luz do mundo, Deus mostra a sua glória, a glória do Seu amor, amor gratuito, simples e humilde, despojado de toda a grandeza e poder: “embora fosse de condição divina …

Maria, a Mãe do Menino Deus, humilde serva do Senhor, que tudo meditava no seu coração, está ali com o seu marido, de olhos postos no Menino, em silêncios de intuição e sabedoria, de paz e de serenidade interior, está ali a “oferecer aos homens a vitória da esperança sobre a angústia, da comunhão sobre a solidão, da paz sobre a perturbação, da alegria sobre o tédio, da vida sobre a morte” (MC 57).


“Educar os jovens para a justiça e para a paz”, é o tema da Mensagem que este ano o Santo Padre dirigiu a toda a Igreja por entender que “prestar atenção ao mundo juvenil, saber escutá-lo e valorizá-lo para a construção dum mundo de justiça e de paz não é só uma oportunidade mas um dever primário de toda a sociedade. Trata-se de comunicar aos jovens o apreço pelo valor positivo da vida, suscitando neles o desejo de consumá-la ao serviço do Bem”.
Por toda a parte, os cristãos, nesta noite santa, celebram o nascimento do Salvador e cantam jubilosos “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados”.
Como cristãos, temos, pois, uma tarefa a cumprir. Nesta sociedade “cada vez mais globalizada, os cristãos são chamados – não só através de um responsável empenhamento civil, económico e político, mas também com o testemunho da própria caridade e fé – a oferecer a sua preciosa contribuição para o árduo e exaltante compromisso em prol da justiça, do desenvolvimento humano integral e do recto ordenamento das realidades humanas”.
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